quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ataque das formigas!

Hoje fomos ao postinho de saúde dar a vacina de 5 anos para meu filho Daniel.
O Dandan sempre foi um meninão grandão. Nasceu com 4.150 gramas e sempre comeu muito bem.
Algo interessante nele é que ele nunca teve medo de tomar injeções e acordou feliz porque ia tomar uma hoje.
Chegamos todos felizes no posto e fomos atendidos por uma enfermeira muito boazinha e simpática.
O Daniel estava empolgado. Sabia que ia tomar umas gotinhas e uma injeção. Porém... a enfermeira, com toda sua experiência, decidiu acalmar meu filho (que até então estava bem tranquilinho). Disse que a injeção era como a picada de uma formiguinha. Ia doer bem pouquinho.
Os olhos do Dandan se abriram e o sorriso sumiu completamente de seu rosto. Dava para ver o pavor em seu olhar!
Ele tomou a injeção e como sempre, não chorou. Contudo, sentiu uma dor profunda. Sabíamos que não era só por causa da vacina, mas também por causa da lembrança das formigas.

Há pouco mais de um mês fomos a uma festinha de aniversário em um buffet infantil que fica dentro de um chácara. Na hora do jantar, por causa da falta de mesas, muitas crianças foram comer numa muretinha.
Meu filho e seu super amigo Estevão estavam sentados, comendo e se divertindo quando o Daniel começou a gritar desesperadamente.
Quando olhei para as costas do meu filho vi centenas de formigas. Apesar do frio que estava fazendo naquele início de noite, eu e meu marido pegamos nosso filho no colo e começamos a tirar suas roupas. Ele levou mais de cem picadas, mas graças a Deus não alérgico a picadas e depois de alguns dias só ficaram as centenas de marquinhas em suas costas.
Nós também levamos muitas picadas e posso dizer que foi horrível!
Agora o que mais me incomodou foi a falta de atenção que recebemos do Buffet. Ninguém do Buffet veio nos ajudar naquela situação e para piorar, não tinham nenhum medicamento (alcool, pomadas, algodão, anti alérgico...). Ficamos eu, meu marido e a mãe da aniversariante (médica) acudindo meu filho. Só de lembrar daquela cena me corta o coração. Ele gritava e chorava tanto!
Quando chegamos em casa, agradecemos a Deus porque nosso filho não é alérgico a picadas. Estávamos fora da cidade e o Buffet não tinha estrutura nenhuma para nos ajudar. Se ele fosse alergico e tivesse um choque anafilático, não sei se daria tempo para chegarmos num pronto socorro.

Fico pensando na estrutura dos Buffets de hoje. No caso deste Buffet, se eles não tinham nem mesmo um kit de medicamentos, como esperar um tratamento diferenciado para pessoas "especiais"?
Atualmente, fala-se muito em inclusão social e na minha opinião, os Buffets deveriam se estruturar para trabalhar com pessoas "diferenciadas" como, por exemplo, crianças portadoras de deficiência e de alergia alimentar.
Quantas crianças alérgicas deixam de ir as festinhas porque não podem comer os bolos, docinhos e salgados contendo leite, ovos ou outros ingredientes? Quantas crianças alérgicas vão as festinhas e acabam parando no hospital porque comeram algo que lhe fez mal?

Vamos pensar mais nesta questão de inclusão social! Vale a pena refletir sobre isso!

Abraços

Sandra Matunoshita

terça-feira, 7 de julho de 2009

Uma festa diferente!

Ontem foi a festinha de 5 anos do meu filho Daniel.
Foram aproximadamente 150 pessoas, dentre adultos e crianças.
Decidimos fugir das festas tradicionais e realizamos algo bem diferente. Oferecemos uma feijoada para todos, depois fizemos algumas gincanas com os pais e as crianças, meu irmão pediatra se transformou no palhaço Biri Biri e tivemos a apresentação de uma peça teatral que falava dos Super Heróis. Foi uma loucura, mas valeu a pena!
Eu estava super cansada porque passei os dias anteriores preparando todos os docinhos, o falso bolo de pasta americana e o bolo verdadeiro de chocolate de soja.
Como alguns convidados eram alérgicos, fiz tudo sem lactose e ovo. Fiz brigadeirinhos com gotas de chocolate Ouro Moreno, beijinhos, trufas com gotas de chocolate Ouro Moreno e bombons tanto de soja diet como Sem soja. O bolo foi feito com uma receita ultra secreta da SOS Alergia (risos) sem usar nada contendo leite de vaca e ovos. Também levei alguns bolos e doces especiais para algumas crianças alérgicas a leite, ovos, soja e cacau.
Fiquei impressionada com o sucesso da festa e especialmente, com o sucesso das guloseimas. Não sobrou nada, nem raspinha de bolo... risos.
E o mais interessante foi observar que a maioria das pessoas não eram alérgicas. Muitas nem perceberam a diferença de sabor e tantas outras não acreditavam que os produtos eram diferenciados.
Hoje é possível fazer uma festa "normal" ou até mais especial para uma criança alérgica. As pessoas precisam experimentar e saber como vive um alérgico para que possam respeitá-lo. Um brigadeirinho de leite de vaca pode não parecer nada para a maioria das pessoas, porém para a criança alérgica pode representar crises diversas dependendo das reação de cada um, uso de diversos medicamentos e até mesmo internação hospitalar.

Um grande abraço a todos,
Sandra Matunoshita - SOS Alergia

terça-feira, 2 de junho de 2009

Relato de uma mãe: "Nina, presente tão esperado!"

Tenho recebido alguns relatos e em muitos deles eu literalmente choro. Sempre achei que era a pessoa mais alérgica do mundo e que meus pais tinham sofrido tanto por me ver sofrer com minhas crises, mas quando leio ou ouço algumas histórias, descubro que meu sofrimento e dos meus pais não foi nada comparado ao de tanta gente!
O relato abaixo é de uma mãe chama Rilane. Apesar de não a conhecê-la pessoalmente (somente por email ou telefone) posso dizer que é uma pessoa vitoriosa, outra mulher guerreira!
Que Deus abençoe sua vida, Rilane!
Beijos a todos!
Sandra Matunoshita

"Meu sonho de ser mãe começou muito cedo. Aos dezessete anos eu dizia para minha mãe que ia ter um filho logo; ela fica super preocupada, claro, mas tal fato ficou apenas nas coisas impensadas que dizemos nos arroubos de juventude. Não por falta de vontade minha, óbvio, mas porque no fundo não era isso que queria; no fundo queria ser mãe, mas na forma tradicional... e também sabia que precisava ter responsabilidade e maturidade suficientes para gerar e cuidar... mas o sonho...esse eu tinha!
E os anos se passaram...
Em meados de 2003 fiquei grávida pela primeira vez. Vivido o susto inicial, fiquei feliz e passei a curtir cada segundo a minha gravidez. em fevereiro de 2004 tudo estava prontinho aguardando a Isabela...quarto, enxoval e muito amor guardados. Amor esse que teve que ser contido, pois minha filha nasceu morta em 12 de fevereiro de 2004 (dois dias antes da data marcada para o parto) e até hoje não sei mensurar essa dor e esse vazio, mas sei dizer que continuei viva, de pé e muito confiante no fato de que seria mãe. Por outras duas vezes engravidei, mas perdi os bebês logo no início da gestação.
Não sabia a razão de tantas perdas. Não tinha uma explicação fisiológica e nem espiritual. Hoje sei que Deus estava me preparando, fortalecendo-me para receber um grande presente e o dia certo, a hora desejada por Ele foi 09 de março de 2007, dia em que nasceu a Marina, fruto da minha quarta gestação.
Quando ouvi aquele chorinho e vi aquele rostinho eu pensei: é minha.... nem acredito! A partir dali eu comecei a descobrir uma forma de amor que jamais imaginei ser possível!
Marina nasceu de cesárea, com 37,5 semanas e veio ao mundo com muita saúde, apesar de pequenina... tinha apenas 2,700 kg.
Quando chegamos em casa, disse baixinho em seu ouvido: filha, mamãe esperava por você há alguns anos, não imagina o quanto foi desejada e o quanto amamos você! Espero que nossa história seja bem vivida e que aqui esteja apenas começando os traços de uma feliz existência!
Nos primeiros 20 dias de nascida, Marina apenas dormia e comia...aliás, tínhamos que acordá-la para que se alimentasse. Tudo muito tranquilo!
Depois desse período, as coisas começaram a mudar...ela chorava muito, mamava pouquinho, vomitava com frequência e era muito irritada. Começou aí nossa luta e peregrinação em consultórios médicos.
Ouvimos de tudo... Alguns diziam que eram cólicas e que passaria; outros diziam que nosso estresse estava gerando essa irritabilidade no bebê.... mas ninguém conseguia dar alguma solução.
Aos três meses de vida a Marina começou a não ganhar peso, a chorar e vomitar cada vez mais e a recusar o peito... era uma situação terrível.
Fomos então parar no consultório da gastro que a atende aqui em Brasília. Bastaram algumas horas para que ela dissesse que a criança tinha refluxo gastroesofágico e possivelmente alergia alimentar... o peito, então, teria que ser complementado com um hidrolisado chamado Alfaré... a menina tomava o "leite" e vomitava na hora; começou outra luta: encontrar algo que o organismo dela tolerasse. Testamos de tudo ou quase tudo e paramos no Neocate, única forma que ela tolera até hoje.
Entretanto, ao contrário do que imaginávamos, não estava solucionado nosso problema. A Nina não aceitava o gosto do "leite" e recusava-se a mamar. Chegou a ficar um dia inteiro com apenas 30 ml de alimento...era desesperador. Aos seis meses de vida ela apresentava desnutrição de grau dois e não sabíamos mais o que fazer... foi quando a médica nos informou que apenas uma coisa poderia salvá-la naquele momento: a sonda nosogástrica. Assim foi feito. Só Deus sabe a dor que senti em ver minha filha depender daquela mangueirinha para se alimentar... foram 41 dias de sonda e muitas horas de choro, de desespero, de descrença... Ao final de 41 dias, num descuido nosso, ela arrancou a sonda... o pai, desesperado, disse que ela não usaria mais aquilo e que teríamos que nos dedicar exclusivamente em reverter a situação. Foi o que fiz... aliás, o que fizemos.
Tivemos a ajuda de psicólogos, fonos, gastros, pediatras e, sobretudo, de Deus!
A Marina não recolocou a sonda e minha vida passou a ter um único foco: alimentá-la!
Não digo que foi fácil; até hoje não é, mas conseguimos e minha filha hoje alimenta-se de forma normal, apesar de um cardápio super restrito.
Por falar em restrição, percebo que deixei de mencionar que ela é portadora de alergia alimentar múltipla e seu maior inimigo é a proteína...da soja, do leite, da carne vermelha, enfim... Ela já comeu apenas batata, mandioca, neocate e caldo de rã. Hoje, passados um ano e alguns meses, ela já come rã, quase todos os legumes, codorna e peru (estes últimos recentemente acrescentados ao cardápio e ainda em teste). Não come qualquer fruta, bem como tomate e outras coisas que ainda iremos descobrir!
Não é fácil cuidar de uma criança alérgica, sobretudo se ela tem baixo peso como a minha. A nossa vida passa a se focar numa coisa só e se não tivermos cuidado, torna-mo-nos paranóicas!
Porém, o pior para mim não é conviver com a alergia, mas com as complicações decorrentes e secundárias, como as infecções de repetição... as da Nina são de amígdalas e agora também rinosinusite....
Porém, acredito que o pior de todos os inimigos de pais alérgicos é mesmo a falta de informação, a ignorância e a descrença dos outros. Muita gente ainda acha que alergia é frescura, quando sabemos que não só existe, como pode ser capaz de matar!
Hoje nossa vida é mais tranquila, mas me sinto como se estivesse diante de uma caixinha de surpresas... surpresas boas e também ruins... como tudo o que existe na vida... as ruins tento enxergar como desafios...aqueles para os quais Deus há muito me preparava e as boas tenho como presente....aquele que Deus guardava para mim há alguns anos!"

Rilane S de Sousa
Mãe da Marina, hoje com um ano e três meses (02/06/2009).

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Campanha SOS Alergia: Caneca Solidária

A maioria dos pais, depois de muito sofrimento e noites mal dormidas, acaba descobrindo a alergia de seu filho, suas causas e como prevenir. Contudo, alguns pais não tem a mesma sorte. Fazem diversos exames, sem chegar a lugar algum. Isso torna tudo desesperador!

Poliana é mãe de João Vithor e da Nicole e ambos têm múltipla alergia alimentar. Na verdade, ela não consegue ao certo descobrir qual o problema de seus filhos. O único alimento deles é uma fórmula especial que recebem do governo.
Ela precisa fazer alguns exames bem caros e eles deverão estar prontos no dia 18 de junho. Gostaríamos de nos unir a esta causa. Ela terá que gastar R$ 1.100,00 no exame de sequenciamento genético e R$580 na triagem de erros inatos do metabolismo.
Conversei com meu marido e depois com uma amiga que tem uma empresa especializada em imagem (foto, filmagem e etc). Ela faz canecas de ceramica personalizadas e aceitou fazer um bom preço por cada uma.
Ela vai cobrar exatamente R$ 10,00 por cada caneca e pretendo vendê-las no site SOS Alergia (www.sosalergia.com.br/loja) por R$ 18,00. Minha intenção não é ganhar nada com isso, provavelmente eu terei até que gastar um pouquinho... risos... mas, acredito que valerá a pena!
Bom, para ser bem transparente, pensei no seguinte. R$ 3,00 de cada caneca irei utilizar com despesas, como embalagem e o Pag Seguro (serviço da UOL referente aos cartões de crédito que fica em torno de 7% da compra, produto + frete). R$ 5,00 serão destinados ao pagamento dos exames.
Se conseguirmos vender 100 canecas, juntaremos R$ 500,00 e se forem 200 canecas, serão R$ 1.000,00.
As canecas podem ser rosa ou azul e virão com os dizeres: "Sou alérgico" e "Para uso exclusivo do (a) (nome da criança)"
Cada pessoa que comprar uma caneca deverá enviar um email para sosalergia@sosalergia.com.br com o nome da pessoa alérgica (que será impresso na caneca) e o comprovante de pagamento, caso prefira fazer depósito.
O nome de cada pessoa que comprar a caneca constará numa lista neste blog e todos poderão acompanhar o andamento da campanha.
Então... quem puder, participe!
Se quiserem entrar em contato com a mãe das crianças, o nome dela é Poliana e o telefone é (62) 3954-6351 (Goiânia).
Abraços a todos,
Sandra Matunoshita

Listagem dos Participantes:
1. Sandra Matunoshita (Filha: Mimi) - Marília - SP - 25/05/2009
2. Frank Matunoshita (Filho: Dandan) - Marília - SP - 25/05/2009
3. Luciane Campos Rosa (Filha: Gabriela) - Rio de Janeiro - RJ - 02/06/2009
4. Sueli Higuti Ajeka (Filho: Erick) - Marília - SP - 02/06/2009
5. Carmen Cosso (Filha: Karol) - Marília - SP - 02/06/2009
6. Fernanda Hack (Filha: Clara) - Niterói - RJ - 02/06/2009
7. Fernanda Hack (Filha: Isabela) - Niterói - RJ - 02/06/2009
8. Claudia Barros Carvalho da Silva(Filho: Eduardo) - Campinas - SP - 03/06/2009
9. Silvia Pieralise (Filha: Natália) - Londrina - SP - 05/06/2009


NOTA:
A SOS Alergia decidiu parar temporariamente com a Campanha da Caneca Solidária. O valor da campanha ainda não foi depositado em prol do João Vithor e da Nicole, pois eu solicitei a mãe deles uma nota fiscal ou mesmo um recibo dos exames, mas não me foram enviados. Até entendo a situação desta mãe, pois a vida dela é uma luta diária (ela realmente é uma guerreira), mas diante do que a SOS Alergia propôs com a campanha e sendo pessoa jurídica, eu preciso que tudo seja feito com muita transparência. Ainda estou aguardando o comprovante e o dinheiro está separado especificamente para esta campanha solidária. Caso, eu não receba o comprovante, destinarei este valor a alguma instituição, documentando legalmente tudo neste blog.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Você precisa de ajuda ou pode ajudar? Vamos compartilhar!

Hoje, gostaria de abrir um espaço para compartilhamentos. Um espaço onde os pais, avôs, professores, profissionais da saúde e alérgicos possam compartilhar de suas necessidades. Acho que podemos fazer isso nos comentários. Vamos tentar?

Recebi uma mensagem na comunidade da SOS Alergia do Orkut e gostaria de compartilhar com os leitores deste blog. Quem sabe apareçam pessoas que possam ajudar. Fala de uma mãe que acabou de descobrir que a filha tem alergia a proteína do leite de vaca e precisará tomar o Pregomin. A mãe está esperando receber os leites do governo. Quem já passou por isso, de esperar a ajuda pública, sabe que pode virar uma novela. Além da demora, existe uma chance enorme da criança ganhar um número menor de latas do que o necessário para o mês.

Já que o governo, infelizmente, não ajuda como deveria e as crianças precisam desses alimentos, vamos tentar fazer uma corrente do bem. Quem precisar de ajuda, escreva nos comentários e não se esqueça de colocar seu nome, email e telefone. Quem puder ajudar, não deixe de entrar em contato com quem precisa. Ah! E, por favor, não se esqueçam, não é um espaço para comercialização e sim para doação.


Mensagem de Janaina Silva, mãe da Julina (ela não é linda?)
Postada em 17/05/2009
"Tenho uma filha com 7 meses que vivia doentinha, já até ficou internada e como vocês devem imaginar os sintomas não preciso nem dizer, a pediatra pediu pra entrar com o leite de soja e ela não melhorava só piorava...comecei a levar a Júlia na Gastro e ela descobriu que ela tem APLV entao nem o leite de soja pode tomar...agora ela tem que tomar o pregomin, dei entrada nos papéis para conseguir receber o leite do governo, mas como voces devem saber demora muitooooo...só tenho mais uma lata e não sei o que fazer quando acabar e isso está me angustiando...porque afinal não é só o leite que tenho que comprar, ela também toma uns remédios muito caro...hoje fiquei o dia inteiro na internet tentando alguma ajuda e também pesquisando mais sobre esta alergia...amei esta comunidade...por favor quem puder me ajudar eu e a Julinha seremos muito gratas...FIQUEM COM DEUS...JANAINA"

SENDO TRANSPARENTE

Uma amiga minha me disse que já ajudou muitas mães que passaram pela mesma situação da Janaina. Contudo, infelizmente, algumas pessoas aproveitaram a situação de seus filhos para fazer "negócios" que em minha opinião são inadimissíveis e só levam as pessoas com boas intenções a "descrença". Uma mãe entrou em contato com essa minha amiga e pediu doações de "Neocate". Ela, como de costume, mobilizou outras mães e conseguiu algumas latas. Mais tarde, descobriu que essa outra "mãe" estava comercializando o leite na internet.
Quando a Janaina entrou em contato comigo, pedi que ela me enviasse os documentos. Irei anexá-los abaixo para que vejam que o caso dela é verdadeiro e que ela é uma pessoa de boa indole. Vamos tentar ajudá-la?

Receita Médica:


Pedido do SUS:




terça-feira, 19 de maio de 2009

ECA - As crianças alérgicas têm direito a saúde!

Já se passaram quase dez anos de minha saída da faculdade, mas continuo apaixonada pelo "ECA", Estatuto da Criança e do Adolescente.
A base do Curso de Serviço Social são os direitos humanos e uma das minhas paixões era estudar o ECA.
Hoje, por motivos profissionais e "maternais", não tenho atuado diretamente na área de minha formação, mas todos os dias, por inúmeros motivos, sou levada a me lembrar do ECA.
O Estatuto fala, dentre os direitos que deveriam ser assegurados as crianças e aos adolescentes, do direito a saúde. O 7º artigo, diz o seguinte: "A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência."
Fico me questionando sempre, como o direito de proteção à vida e à saúde de nossas crianças e adolescentes alérgicos tem sido garantido pelo governo. Onde encontram-se as políticas sociais públicas que permitem o desenvolvimentos sadio e harmonioso desses crianças (detalhe: e em condições dignas de existência)?
Quantas histórias ouvimos todos os dias de crianças cujos pais lutam para conseguir ajuda do governo na aquisição de medicamentos e alimentos de alto custo, como os famosos leites Pregomin, Alfaré e Neocate. Quem tem condições de pagar quase R$ 200,00 numa lata de leite que dura somente 3 dias??? Conheci, inclusive, pessoas de classe média alta que não conseguiram suportar esse valor, afinal no final do mês o gasto fica entre R$ 2.000,00 a quase R$ 4.000,00 (no caso do Neocate). Quem pode? A resposta é simples: o governo pode! Se nossos governates parassem de roubar e usassem o dinheiro que pagamos com nossos impostos de forma correta, provavelmente, as crianças alérgicas, especialmente as que possuem múltipla alergia alimentar, poderiam receber não somente os alimentos devidos, mas também o atendimento médico, nutricional e psicológico adequados. Se os recursos fossem realmente utilizados na educação e na saúde, imagine a economia que faríamos por não precisarmos pagar plano de saúde e colégios particulares!
Hoje, recebi o email de uma pessoa chamada Rita, cuja filhinha Livia tem desde bebezinha múltipla alergia alimentar. Quando li que ela nasceu com 3,150 g e que depois de 6 meses pesava somente 3,900g, senti meu coração se apertar de tristeza. Com 6 meses, meu filho mais velho (Dandan) pesava mais de 10 kilos!
Quantas lutas, dificuldades e sofrimento essa família passou por não saber exatamente o que a filhinha tinha! Eu fico arrasada quando converso com mães que levaram seus filhos por anos em postinhos de saúde e na maioria dos casos, saíram com uma receita de antibiótico. Infelizmente, o governo também não dá respaldo para esses profissionais. Resultado: os pais precisam procurar ajuda particular e fazer exames particulares para então descobrir que o filho é alérgico. Engraçado, né? Aonde se encontram as tais políticas públicas que garantem o desenvolvimento sadio e harmonioso de nossas crianças? Se alguém souber, por favor, compartilhe porque têm muitos pais procurando!
Dou graças a Deus porque Ele enche o coração dos pais e mães com muito amor, paciência e sabedoria. A força que eles têm é muito maior do que as dificuldades que eles passam. E no final, a prova do amor que sentem por seus filhos encontra-se nas lágrimas, sorrisos e abraços compartilhados com seus filhos alérgicos.
Como cidadãos brasileiros, pagadores de impostos altíssimos e muito mal usados, devemos lutar para que os direitos de nossas crianças e adolescentes realmente sejam efetivados.
Para aqueles que não têm conhecimento do ECA, vou citar o capítulo número I, que fala do Direito à vida e à saúde. Até a próxima! Abraços!

Do Direito à Vida e à Saúde
Art. 7º A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência.
Art. 8º É assegurado à gestante, através do Sistema Único de Saúde, o atendimento pré e perinatal.
§ 1º A gestante será encaminhada aos diferentes níveis de atendimento, segundo critérios médicos específicos, obedecendo-se aos princípios de regionalização e hierarquização do Sistema.
§ 2º A parturiente será atendida preferencialmente pelo mesmo médico que a acompanhou na fase pré-natal.
§ 3º Incumbe ao poder público propiciar apoio alimentar à gestante e à nutriz que dele necessitem.
Art. 9º O poder público, as instituições e os empregadores propiciarão condições adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas a medida privativa de liberdade.
Art. 10. Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos e particulares, são obrigados a:
I - manter registro das atividades desenvolvidas, através de prontuários individuais, pelo prazo de dezoito anos;
II - identificar o recém-nascido mediante o registro de sua impressão plantar e digital e da impressão digital da mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas pela autoridade administrativa competente;
III - proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutica de anormalidades no metabolismo do recém-nascido, bem como prestar orientação aos pais;
IV - fornecer declaração de nascimento onde constem necessariamente as intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato;
V - manter alojamento conjunto, possibilitando ao neonato a permanência junto à mãe.
Art. 11. É assegurado atendimento médico à criança e ao adolescente, através do Sistema Único de Saúde, garantido o acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.

Art. 11. É assegurado atendimento integral à saúde da criança e do adolescente, por intermédio do Sistema Único de Saúde, garantido o acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde. (Redação dada pela Lei nº 11.185, de 2005)
§ 1º A criança e o adolescente portadores de deficiência receberão atendimento especializado.
§ 2º Incumbe ao poder público fornecer gratuitamente àqueles que necessitarem os medicamentos, próteses e outros recursos relativos ao tratamento, habilitação ou reabilitação.
Art. 12. Os estabelecimentos de atendimento à saúde deverão proporcionar condições para a permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável, nos casos de internação de criança ou adolescente.
Art. 13. Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais.
Art. 14. O Sistema Único de Saúde promoverá programas de assistência médica e odontológica para a prevenção das enfermidades que ordinariamente afetam a população infantil, e campanhas de educação sanitária para pais, educadores e alunos.
Parágrafo único. É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Tudo por causa de um brigadeiro!

Estou dando uma escapadinha do trabalho, pois está sendo um dia bem tranquilo por causa da chuva.
Hoje vou compartilhar a história de uma mãe com quem conversei no mês passado.
Essa mamãe ainda é uma jovem com dois filhos, uma menina de uns 5 anos e um filho de 1 ano e meio.
Segundo ela, seu filho é extremamente alérgico a leite, ovo e soja, e dentre as reações está a presença de sangue nas fezes.
Uma semana antes de conversarmos, ela levou seus filhos a uma festinha de aniversário num buffet. Eram 6 monitoras e as 2 que estavam com seus filhos sabiam da alergia do pequeno.
Ela me contou que ficou vigiando o filho do começo ao final da festa para que ele não comece nada que não pudesse. Lá pelas 23 horas, quase na hora de ir para a casa, ela se virou para tirar sua filha de um brinquedo. Foram somente alguns segundos... Quando ela se virou em direação ao seu filho percebeu logo que havia algo marronzinho dentro de sua pequena boquinha. Era nada mais nada menos que um delicioso brigadeiro feito com um delicioso leite condensado e coberto com um delicioso chocolate granulado! (Que criança é capaz de resistir a tamanha tentação?)
Ela entrou em pânico e adivinhe? Fazia exatamente uma semana que ele estava a base de remédios e ainda defecando sangue!

"Só um brigadeirinho! Só um pedacinho! Com certeza, não vai fazer mal!" É o que sempre escuto nas conversas com as mães de crianças alérgicas. Muitas avós, tias e até mesmo professoras não conseguem compreender o quanto esse "só um" é perigoso!
O engraçado é que naquele mesmo dia (minhas funcionárias e avô que estava fazendo compras podem confirmar), apareceu uma tia querendo comprar um monte de coisas para sua sobrinha alérgica a leite. Eu achei super legal, pois geralmente são os pais ou avôs que costumam vir mais a minha loja. Até elogiei a atitude dela. Porém, no meio da conversa, ela nos confessou. Achava que sua cunhada era uma "fresca" e que toda essa história de alergia da sua sobrinha era "conversa". Inconformada, ela deu um brigadeiro pra sobrinha que ficou muito mal. Ela não nos disse, mas desconfiamos que a menina acabou parando no hospital. O sentimento de culpa estava estampado em seu rosto. Culpa esta não somente por ter feito sua sobrinha ficar muito mal, mas provavelmente também pelos anos em que chamou sua cunhada de fresca. Quem nunca passou por isso?