terça-feira, 6 de outubro de 2009

Abaixo Assinado em prol dos alérgicos


PARTICIPE!

VOTE!


VAMOS LUTAR PELOS DIREITOS DOS ALÉRGICOS!

A SOS Alergia aprova e apoia esta campanha!


Abaixo-Assinado (#4998): Carta aos Parlamentares:

Destinatário: Deputados Federais e Senadores da República

Vote aqui: >> Assine este abaixo-assinado <<


Excelentíssimos Senhores Deputados Federais e Senadores

Prezados Senhores,

Os abaixo-assinados, a seguir identificados, vêm, à presença de Vossas Excelências, expor e requerer o que segue:

O nobre Deputado Exmo. Sr. Sandro Mabel elaborou o Projeto de Lei número 2663 de 03/12/2003 pretendendo tornar obrigatório aos fabricantes de produtos alimentícios a informação no rótulo ou embalagem do termo “CONTÉM LACTOSE”. O objetivo de tal medida, segundo a justificação do projeto é resguardar e prevenir possíveis ingestões acidentais por "crianças alérgicas à lactose e que acabam sendo socorridas às pressas, com risco de vida, por ingerir tal substância."

Entretanto, o projeto tem conceitos equivocados, já que inexiste “ALERGIA À LACTOSE". Existe "INTOLERÂNCIA À LACTOSE" e "ALERGIA ÀS PROTEÍNAS DO LEITE DE VACA", problemas que embora sejam frequentemente confundidos são distintos em sua natureza e em suas consequências. A lactose é um carboidrato e, portanto, não causa reações alérgicas. A alergia ao leite de vaca é uma reação às proteínas do leite, não à lactose, e pode ser uma enfermidade grave. Envolve o sistema imunológico. Já a intolerância à lactose, extremamente rara na infância, costuma acometer crianças maiores depois de desmamadas e adultos e embora possa trazer grande desconforto, não envolve risco de morte como os casos de alergia."

Enquanto que os intolerantes costumam suportar quantidades variadas de lactose, dependendo do grau de intolerância (e podem consumir proteínas do leite isentas de lactose, como os já existentes no mercado "leites sem lactose"), os, “ALÉRGICOS A LEITE” não podem consumir ABSOLUTAMENTE NADA que contenha proteínas do leite de vaca, ou seja, leite e derivados ou produtos que contenham leite e derivados na sua composição e ainda traços de leite, ou seja, consumir produtos que foram produzidos em equipamentos que processam leite e derivados.

Entendemos que a melhor forma de atingir o objetivo deste projeto, seria a mudança do termo "CONTÉM LACTOSE" para "CONTÉM LEITE E/OU TRAÇOS DE LEITE", o que realmente protegeria os alérgicos às proteínas do leite de vaca e ainda alcançaria os intolerantes à lactose. Ressaltando que a redação atual do projeto só contempla os intolerantes, apesar de a justificação estar voltada aos alérgicos.

Acrescentamos que há produtos que possuem LEITE e não possuem LACTOSE, como os casos dos já mencionados "leites sem lactose" e de alimentos que usam apenas a proteína do leite na sua composição. Dessa forma, não levariam a inscrição legal "CONTÉM LACTOSE", mas poderiam levar à morte uma criança alérgica a leite.

Assim, por todo o exposto, requeremos a Vossas Excelências que procedam a alteração do aludido Projeto, a fim de que ao invés da expressão “CONTÉM LACTOSE”, passe a constar nos rótulos e/ou embalagens a informação “CONTÉM LEITE E/OU TRAÇOS DE LEITE”, certos de que Vossas Excelências saberão compreender e respeitar a nossa luta e os direitos dos cidadãos em serem esclarecidos acerca da composição clara dos produtos que adquirem.

Mães, pais e amigos de crianças alérgicas às proteínas do leite de vaca.

Autora: Fernanda Mainier Hack

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A nova guerra às alergias (Revista Época)

Ultimamente, tem se falado muito em alergia alimentar na mídia. Uma séria de reportagens foi feita pelo Fantástico e com isso, outros meios de comunicação começaram a voltar sua atenção para este tema tão importante e tão pouco comentado. Acredito que isso seja um grande passo para nós, alérgicos!
Segue abaixo a reportagem feita pela Revista Época.
Abraços,
Sandra Matunoshita - SOS Alergia


A nova guerra às alergias
Fonte: Revista Época


As armas da medicina para combater o crescimento do número de casos de reações graves a alimentos

Dennise Passos de Oliveira não tinha como saber, mas a geleia de mocotó que dava ao filho Luiz Guilherme, de 6 meses, era a causa, e não a solução, para as cólicas e os vômitos do bebê. Ao entrar em seu organismo, uma proteína do leite contido na geleia provocava uma reação semelhante à do sistema imune quando atacado por vírus. Alimentos comuns como arroz, espinafre, mandioquinha e frango também causavam vômito. Às vezes, só de sentir cheiro de comida Luiz Guilherme começava a passar mal. O menino perdia peso, crescia abaixo da média e teve inchaço no fígado e no baço. Por fim, a gastropediatra Maria Helena Simões identificou a razão: uma grave alergia. Seu caso, embora raro, ilustra o crescente problema das alergias múltiplas, para o qual só agora a medicina começa a encontrar explicações.

A médica mandou suspender praticamente todos os alimentos sólidos e receitou para Luiz Guilherme uma fórmula especial, com proteínas já “digeridas”, para evitar novas reações alérgicas. Hoje com 2 anos, Luiz Guilherme é um menino alegre e calmo, que passa o dia brincando com um macaquinho de pelúcia. Um ano e meio depois do início do tratamento, além da fórmula especial, ele já pode comer quiabo, maxixe, abóbora, macarrão de sêmola, carne de carneiro e está se aventurando pelas frutas. Teve reações a banana, ameixa e pera, mas está experimentando abacate e mamão.

Esse caso, ainda que extremo, não é totalmente estranho aos ouvidos de pais e mães. Quase todos já ouviram falar, dentro do círculo de amizades, de histórias de crianças com graves alergias ou intolerâncias a um ou mais alimentos, como numa espécie de pandemia silenciosa. O aumento do número de casos provavelmente se deve em parte a uma melhora nos diagnósticos, o que não o torna menos alarmante. Segundo o dado mais recente, de 2007, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, nos Estados Unidos, o aumento foi de 18% em uma década. A alta mais significativa foi na faixa de 0 a 5 anos de idade, fase da vida em que o sistema imune está mais vulnerável.

No mundo inteiro, alergias se tornaram uma verdadeira paranoia. Na Austrália, o menino Kaleb Bussenschutt, de 5 anos, se alimenta por sonda e pode apenas chupar gelo. Nos Estados Unidos, algumas escolas baniram do recreio os lanchinhos com amendoim e derivados. Recentemente, a queda de um simples amendoim no assoalho de um ônibus escolar gerou a evacuação e a descontaminação do veí­culo. Também nos Estados Unidos, foi realizado em agosto o primeiro jogo de beisebol “peanut-free” (ou seja, livre de amendoim: comer amendoins e derivados em estádios de beisebol faz parte da cultura americana) apenas para que um menino, Kyle Graddy, de 9 anos, alérgico à semente, pudesse assistir ao vivo a seu esporte favorito.

Exageros à parte, é fato que se tornou mais comum o diagnóstico de alergias múltiplas numa mesma criança. “Há 25 anos, quando comecei a trabalhar com isso, os testes sanguíneos da maioria das crianças apontavam alergia a apenas um tipo de alimento”, diz Hugh Sampson, um dos maiores especialistas americanos em alergias infantis. “Agora o incomum é encontrar um exame em que só haja reação a um tipo de comida.” Em seu dia a dia na Faculdade de Medicina Mount Sinai, em Nova York, onde dirige o serviço de alergia e imunoterapia do Departamento de Pediatria, Hugh Sampson dedica-se a estudar uma cura para o problema. Ele é um otimista: acredita que, em menos de uma década, uma bateria de novas armas estará disponível para o público. Essa não é a única novidade na guerra contemporânea contra as alergias alimentares. Novos métodos de diagnóstico estão prestes a entrar no mercado, inclusive no Brasil, e a ciência a cada dia entende um pouco mais os mecanismos que levam nosso corpo a reagir contra alimentos que deveriam nos fazer bem, e, por algum motivo, põem em risco nossa saúde.

O QUE JA SE SABE?

ACESSE E LINK E SAIBA AS RESPOSTAS ÀS DÚVIDAS MAIS COMUNS SOBRE ALERGIA E INTOLERANCIA :

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI90398-15257-1,00-A+NOVA+GUERRA+AS+ALERGIAS.html

Uma das chaves para encontrar uma cura para as alergias é a pesquisa genética. A ciência ainda não é capaz de responder por que, numa mesma família, algumas pessoas têm mais ou menos predisposição ao problema. Luiz Guilherme, o menino que abre esta reportagem, tem uma irmã mais velha, Emanuelly, de 6 anos, que não sofre de alergia alimentar, mas tem rinite, uma doença alérgica. A mãe, Dennise, tem tosse alérgica, e o pai, Fernando, diz sofrer alterações na pele quando ingere camarão e lagosta.

Os pesquisadores acreditam que as alterações do ambiente onde vivemos têm um papel fundamental no desenvolvimento das alergias. A chamada “hipótese da higiene” diz que, no ambiente urbano moderno, quase asséptico, diminui a exposição a micro-organismos como vermes, bactérias e vírus e, consequentemente, caem as infecções. A relação entre a higiene e a alergia não foi, contudo, confirmada por estudos epidemiológicos no Brasil. Até agora, as pesquisas não mostraram uma diferença na taxa de casos de doenças alérgicas nas grandes cidades e em populações de vilarejos do interior.

Uma dificuldade de qualquer estudo é definir quem realmente é alérgico. De acordo com diversas pesquisas, 20% a 25% das pessoas acreditam ter algum tipo de alergia. Quando um médico faz o diagnóstico, apenas 1% a 2% dos adultos e 6% a 8% das crianças de fato têm o problema. Antes de concluir que se tem uma alergia, portanto, é preciso excluir outras hipóteses. Foi o caso da nutricionista Leticia Garcia, de 29 anos, que mora em São Paulo. Há quatro anos, depois de repetidos episódios de diarreia e constipação, Leticia recebeu o diagnóstico de “síndrome do intestino irritável”, uma condição que teria fundo emocional. No ano passado, ela voltou a ter o problema. Desta vez, um teste sanguíneo apontou intolerância à lactose. Letícia tirou leite e derivados da dieta. Não adiantou. Ela procurou uma terceira opinião. O médico desconfiou de doença celíaca – aquela em que o intestino do paciente não absorve alimentos com glúten. Uma biópsia confirmou a suspeita. A intolerância à lactose, na verdade, era um efeito secundário das crises de diarreia. Agora, Leticia luta para tirar pães, massas e farinhas da dieta. “Desde o diagnóstico, não tive mais crises”, diz Leticia.

Assim como nos casos de intolerância, identificar as alergias pode ser difícil. Atualmente, usam-se testes cutâneos – em que o alérgeno é colocado em contato com a pele – ou de sangue. Neste último, chamado Rast, os cientistas medem a quantidade dos anticorpos IgE para certos alimentos e medicamentos. Mas ter altas doses de IgE específico para o camarão, por exemplo, não significa necessariamente alergia a camarão: são os casos chamados de “falsos-positivos”. Eles são comuns quando há alergias cruzadas. Uma nova técnica, chamada “microarray”, que usa quantidades menores de sangue para uma quantidade maior de alérgenos, espera a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usada no Brasil.

A evolução nas técnicas de diagnóstico pode trazer esperanças para casos graves como o de Marina, uma menina de Brasília hoje com 2 anos e 5 meses. Aos 20 dias de idade, Marina chorava bastante, dormia pouco e regurgitava muito. Mãe pela primeira vez, a servidora pública federal Rilane Santos de Sousa ficou preocupada e levou o bebê ao médico. O primeiro diagnóstico foi refluxo gastroesofágico, um problema comum em crianças pequenas. “O refluxo pode ter uma causa fisiológica, mas também pode ser causado por uma alergia”, afirma o gastropediatra Ulysses Fagundes Neto, professor do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina da Unifesp. Ao ingerir um alimento e ter cólica, a criança pode chorar muito, o que a leva a regurgitar. Outro possível sintoma é diarreia com sangue, que pode ser confundida com uma infecção intestinal. Aos 2 meses, a menina deixou de ganhar peso, e Elisa de Carvalho, médica especializada em gastroenterologia pediátrica do Hospital de Base do Distrito Federal, suspeitou de um caso de alergia a leite. Para evitar expor a criança às proteínas do leite e da soja pelo leite materno, Elisa excluiu os alimentos da dieta da mãe. Mesmo assim, Marina não apresentou melhora. Rilane teve, então, de deixar de amamentar. Passou a dar à filha uma dieta especial, com fórmula de proteína hidrolisada – mais fácil de digerir. Deu certo, mas uma tentativa de reintroduzir o leite na dieta da menina fracassou. Marina foi internada e passou a receber por sonda uma fórmula elementar, hipoalergênica, só com aminoácidos, por meio de uma sonda. “Não dormíamos direito vigiando para que ela não tirasse o aparelho”, diz Rilane. Depois de 60 dias de tratamento, a própria menina rejeitou a sonda. Durante alguns meses, alimentou-se exclusivamente com a fórmula. Aos poucos, e com acompanhamento médico, Marina foi começando a descobrir outros sabores sem choro. Hoje, ela pode provar carne de codorna, peru e frango, a maioria dos legumes, pera e mamão. A mãe anota tudo o que a filha ingere. Com 11 quilos, peso normal para sua idade, Marina deverá deixar de usar a fórmula de aminoácidos dentro de alguns meses.

Casos assim conduzem à inevitável pergunta: é possível prevenir alergias? Segundo as pesquisas mais recentes, não adianta evitar dar alimentos com potencial alergênico para os bebês com mais de 6 meses. “Temos medo das dietas não alergênicas, porque elas não estimulam o desenvolvimento da tolerância nas crianças”, diz Roseli Sarni, pediatra e presidente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Só existe consenso em torno de um único fator preventivo: a amamentação. Há evidências científicas de que o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade traz benefícios para as crianças.

O mecanismo de desenvolvimento de tolerância batizado “imunoterapia oral” é uma das linhas mais promissoras para o tratamento da alergia alimentar. A técnica consiste em ministrar doses crescentes do alérgeno ao paciente para “acostumar” o sistema imune à proteína. No Brasil, o grupo do pesquisador Fabio Morato Castro, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, tem tido resultados animadores com essa técnica no tratamento de alergias a ovo e leite, bastante comuns por aqui. Na Universidade Duke, nos Estados Unidos, o pediatra Wesley Burks estuda um grupo de 50 crianças alérgicas a amendoim. A criança vai ao hospital, recebe a dose e é acompanhada pela equipe. Se tudo correr bem depois da ingestão, a criança vai para casa e continua tomando a mesma dose por duas semanas. As doses são aumentadas progressivamente. Depois de um ano, 85% das crianças conseguem comer 15 amendoins sem apresentar nenhuma reação. Agora, Burks quer descobrir se esse método tem resultados permanentes. “Ainda vamos demorar três a cinco anos para chegar a um tratamento seguro”, diz Burks.

Outra possibilidade de tratamento é usar proteínas geneticamente modificadas para induzir essa tolerância. Elas seriam capazes de produzir essa tolerância com menor risco de reações.

Um exemplo das possibilidades dos novos tratamentos pode ser encontrado na família de Ana Rita Keller, uma arquiteta que mora em São Paulo. Aos 4 meses de vida, seus filhos gêmeos, Pedro e Juliano, experimentaram pela primeira vez uma fórmula infantil – que contém proteína do leite – e tiveram uma forte reação alérgica. Foram internados de urgência e tiveram de tomar doses de adrenalina para evitar um choque anafilático. Passado o susto, Ana Rita ficou sabendo que os dois filhos tinham alergia ao leite e a todos os seus derivados. O problema se tornou uma fonte de preocupação permanente. “Um dia, quando eles tinham uns 8 meses, eu tinha acabado de comer um iogurte e o Juliano quis brincar com a colher”, lembra Ana Rita. “Dei e ele começou a ficar inchado e a ter bolinhas na boca. Aprendi que, mesmo que a colher pareça limpa, traços do alimento podem provocar a reação.” Hoje, os meninos estão prestes a completar 6 anos. As reações de Pedro foram se abrandando. Juliano continua a exigir atenção constante.

Depois do episódio da colher, Ana Rita redobrou o cuidado, mas é difícil eliminar todos os riscos. “Um dia ele teve alergia depois de beijar minha mãe, que tinha comido um sorvete de creme duas horas antes”, afirma Ana Rita. Ela decidiu que, aos 4 anos, Juliano e Pedro já poderiam entrar na escola. Nessa idade, eles já sabiam que não poderiam pegar a comida dos amiguinhos, mas Juliano ainda corria o risco de um contato acidental. “Tive uma reunião com a coordenadora para explicar o problema. Até hoje não houve nenhum incidente”, diz a mãe. “Os alunos da classe também sabem da alergia, e todos lavam as mãos e a boca depois do recreio.” Na casa da família, para facilitar os cuidados, todos comem receitas preparadas sem leite, com soja ou leite de coco, e até o pai, Dominik, que é suíço, abriu mão dos queijos. A expectativa, porém, é que a rotina da família se normalize dentro de alguns anos, com o gradativo aumento da tolerância de Juliano à proteína do leite, como aconteceu com o irmão. Entender os mecanismos que levam o corpo a superar alergias alimentares é essencial para pôr fim ao drama de milhões de famílias como os Kellers.

Estima-se que dois terços da população mundial adulta de hoje tenham algum grau de intolerância à lactose, tipo de açúcar presente no leite. Isso quer dizer que mais de 4,5 bilhões de pessoas têm uma deficiência na produção de lactase, a enzima para a digestão do leite, e sentem algum tipo de desconforto – os mais comuns são dores abdominais, gases e diarreia – ao ingerir a bebida ou seus derivados. Inexplicavelmente, na Europa, o problema afeta uma porcentagem bem menor da população: 25%, em média. Isso se deve a uma única mutação no DNA. Mas por que os europeus têm o gene da tolerância a leite em maior quantidade que asiáticos e africanos?

Uma nova pesquisa liderada por Mark Thomas, pesquisador do University College de Londres, pode ter encontrado a explicação. Thomas é especialista em evolução genética. Ele concluiu que a mutação responsável pela tolerância ao leite ocorreu há cerca de 7.500 anos na região central dos Bálcãs, onde hoje ficam a Romênia e a Bulgária. Para chegar a essa conclusão, a equipe de Thomas alimentou um computador com dados sobre o genoma dos povos europeus e o histórico de domesticação de animais. O estudo foi publicado na semana passada na revista PLoS Computational Biology.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI90400-15257,00-O+GENE+QUE+NOS+DEU+O+LEITE.htm

Saiu na revista Época: Receitas para alérgicos

Segue abaixo algumas receitas para alérgicos que sairam na revista Época. Foram elaboradas pelo Instituto Girassol.
Abraços,
Sandra Matunoshita - SOS Alergia


Receitas especiais para alérgicos

O Instituto Girassol, de apoio a pessoas com necessidades nutricionais especiais, elaborou receitas livres de ingredientes como leite, ovo e trigo, que causam grande parte dos casos de alergia alimentar no Brasil. Confira duas opções doces e duas salgadas, retiradas do livro lançado pela instituição
Redação Época

Pudim de arroz
Sem leite, ovo, soja e trigo
Tempo de preparo: 1h20
Número de porções: 15
Valor calórico: 139 calorias por fatia


Ingredientes
1 xícara de chá de arroz
6 xícaras de chá de água
1/2 xícara de chá de farinha de arroz
2 e 1/2 xícaras de chá de açúcar refinado
4 colheres de sopa de amido de milho

Modo de preparo
1. Cozinhe o arroz com 3 xícaras de água. Depois de cozido, bata o arroz no liquidificador por 5 minutos com 2 xícaras de água até que forme uma pasta homogênea;
2. Em uma panela, leve esta pasta ao fogo, acrescentando a farinha de arroz e o açúcar;
3. Dissolva o amido de milho em 1 xícara de água e acrescente aos demais ingredientes. Cozinhe até formar uma massa gelatinosa.
4. Pré-aqueça o forno.
5. Em uma forma própria para pudim, despeje a mistura, e leve ao forno (200º), por 40 minutos.
6. Deixe esfriar e sirva com a calda de sua preferência.

Taça de banana com creme de canela
Sem leite, ovo e trigo
Tempo de preparo: 30 minutos
Número de porções: 6
Valor calórico: 148 calorias por taça

Ingredientes
Banana
2 colheres de sopa de margarina sem leite
4 bananas-nanicas médias cortadas em rodelas
2 colheres de sopa de açúcar mascavo

Creme
3 colheres de sopa de amido de milho
3 xícaras de chá de bebida à base de soja original
1 colher de chá em canela em pó
1/2 xícara de chá de açúcar mascavo
3 colheres de sopa de castanta-de-caju triturada

Para salpicar
Castanha-de-caju

Modo de preparo
1. Em uma frigideira grande (18 centímetros de diâmetro), aquela a margarina, junte as bananas, o açúcar e cozinhe até as bananas ficarem macias.
2. Acomode as bananas no fundo de 6 taças ou tigelas refratárias pequenas.

Creme
1. Em uma panela média, dissolva o amido de milho na bebida à base de soja, junte a canela e o açúcar e leve ao fogo médio por 5 minutos ou até engrossar, mexendo sempre. Retire do fogo e junte a castanta-de-caju.
2. Cubra as bananas com o creme e salpique a castanta-de-caju. Sirva mornas, frias ou geladas.

Variação
Experimente acrescentar às bananas meia xícara de chá de uva passa sem caroço.

Esfiha
Sem leite, ovo e soja
Tempo de preparo: 2h
Número de porções: 34
Valor calórico: 180 calorias

Ingredientes
Massa
2 xícaras de chá de água morna
1 colher de sopa de fermento biológico seco
2/3 xícara de chá de óleo (140 ml)
2 colheres de sopa de margarina sem leite
2 colheres de sopa de açúcar
1 pitada de sal
5 xícaras de chá de farinha de trigo

Recheio
700 gramas de carne moída
Sal a gosto
3 tomates maduros sem semente e picados em cubos
1 limão
1 colher de sopa de óleo para refogar
1 cebola picada em cubinhos
2 dentes de alho amassados

Modo de preparo
Massa
1. Coloque a água morna em um recipiente e adicione o fermento biológico. Misture.
2. Adicione o óleo, a margarina, o açúcar e o sal e misture bem.
3. Adicione a farinha aos poucos até formar uma massa lisa, que não grude muito nas mãos. 4. Reserve.
5. Unte uma forma com farinha. Com a massa faça mais ou menos 45 bolinhas.
6. Deixe descansar por uma hora.

Recheio
1. Coloque a carne moída em um recipiente e adicione o sal.
2. Em seguida coloque o tomate picado em cubinhos e sem semente na carne e misture bem.
3. Espreme o limão na carne e misture novamente.
4. Reserve.
5. Em uma frigideira, aqueça o óleo.
6. Coloque a cebola picada e o alho amassado e doure.
7. Assim que estiverem levemente dourados, retire do fogo e coloque sobre a carne moída.
8. Misture bem até que todos os ingredientes estejam incorporados.

Montagem
1. Unte duas formas com óleo e reserve.
2. Passe um pouco de óleo nas mãos para facilitar a abertura da massa.
3. Pegue uma bolinha de massa e abra na palma da mão (mais ou menos do tamanho da palma).
4. Coloque recheio suficiente para a quantidade de massa e feche no formato de uma esfiha (pode ser triangular ou quadrada).
5. Coloque na forma untada.
6. Repita esta operação até acabarem as bolinhas. Pré-aqueça o forno.
7. Leve ao forno médio/alto por 30 a 40 minutos ou até que elas dourem.
8. Sirva quente.

Panqueca de frango
Sem leite, ovo, soja e trigo

Ingredientes
Massa

2 xícaras de chá de amido de milho
1 xícara de chá de água quente
1 xícara de chá de óleo
1 xícara de chá de fubá de milho

Recheio
1 unidade média de cebola
4 colheres de sopa de óleo
1 e 1/2 xícara de chá de frango desfiado cozido
1 unidade média de tomate
5 colheres de sopa de milho
2 colheres de sopa de salsa
Sal a gosto

Modo de preparo
Massa
1. Em tigela, misture todos os ingredientes da massa até obter uma mistura homogênea.
2. Frite as panquecas em uma frigideira e reserve.

Recheio
1. Doure a cebola no óleo e acrescente o frango (já cozido e desfiado).
2. Em seguida, acrescente o tomate, o milho, a salsa e o sal. Reserve.

Montagem
1. Recheie as panquecas e sirva com o molho de sua preferência.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Voltando a estudar...

Não tenho conseguido escrever nestes últimos meses. Minha vida, literalmente, está uma loucura!
Eu tinha um cliente que é professor no curso de Tecnologia de Alimentos da FATEC e sempre que ele vinha na SOS Alergia ele me incentivava a fazer este curso. Eu dava risadas, mas nem passava pela minha cabeça voltar a estudar, muito menos num curso totalmente diferente da minha formação.
Mas, eu amo cozinhar e adoro inventar novos produtos, e cada vez que eu conseguia criar algo novo, a sugestão desse professor vinha à minha mente.
Conversei com meu marido e decidi tentar. Passei no vestibular e estou cursando a faculdade de Tecnologia de Alimentos.
Estou amando cada dia, cada aula, cada novo aprendizado. Como nunca fui uma aluna aplicada em química e biologia, tudo está sendo muito novo pra mim.
Agora o que me deixou encantada foram os laboratórios. O laboratório de desenvolvimento de produtos é um sonho de consumo pra qualquer pessoa apaixonada por cozinha. E o laboratório de análise microbiológica é tentador, dá vontade de entrar e aprender como tudo funciona! Sempre que olho para esses laboratórios, lembro-me do rostinho de várias criancinhas que são clientes da SOS Alergia. Crianças que constantemente me pedem para inventar um docinho ou um salgadinho diferente, isento daquilo que lhes causa alergia. Crianças que querem ser "normais" diante de seus amiguinhos, apesar de serem "diferentes". Crianças que querem participar de festas, comer bolo, comer brigadeiro, tomar sorvete e fazer muita bagunça!
Realmente, cada dia tem sido um aprendizado. Olho para este curso como um presente que Deus me deu para poder presentear outros.
Abraços a todos,
Sandra Matunoshita
www.sosalergia.com.br

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ataque das formigas!

Hoje fomos ao postinho de saúde dar a vacina de 5 anos para meu filho Daniel.
O Dandan sempre foi um meninão grandão. Nasceu com 4.150 gramas e sempre comeu muito bem.
Algo interessante nele é que ele nunca teve medo de tomar injeções e acordou feliz porque ia tomar uma hoje.
Chegamos todos felizes no posto e fomos atendidos por uma enfermeira muito boazinha e simpática.
O Daniel estava empolgado. Sabia que ia tomar umas gotinhas e uma injeção. Porém... a enfermeira, com toda sua experiência, decidiu acalmar meu filho (que até então estava bem tranquilinho). Disse que a injeção era como a picada de uma formiguinha. Ia doer bem pouquinho.
Os olhos do Dandan se abriram e o sorriso sumiu completamente de seu rosto. Dava para ver o pavor em seu olhar!
Ele tomou a injeção e como sempre, não chorou. Contudo, sentiu uma dor profunda. Sabíamos que não era só por causa da vacina, mas também por causa da lembrança das formigas.

Há pouco mais de um mês fomos a uma festinha de aniversário em um buffet infantil que fica dentro de um chácara. Na hora do jantar, por causa da falta de mesas, muitas crianças foram comer numa muretinha.
Meu filho e seu super amigo Estevão estavam sentados, comendo e se divertindo quando o Daniel começou a gritar desesperadamente.
Quando olhei para as costas do meu filho vi centenas de formigas. Apesar do frio que estava fazendo naquele início de noite, eu e meu marido pegamos nosso filho no colo e começamos a tirar suas roupas. Ele levou mais de cem picadas, mas graças a Deus não alérgico a picadas e depois de alguns dias só ficaram as centenas de marquinhas em suas costas.
Nós também levamos muitas picadas e posso dizer que foi horrível!
Agora o que mais me incomodou foi a falta de atenção que recebemos do Buffet. Ninguém do Buffet veio nos ajudar naquela situação e para piorar, não tinham nenhum medicamento (alcool, pomadas, algodão, anti alérgico...). Ficamos eu, meu marido e a mãe da aniversariante (médica) acudindo meu filho. Só de lembrar daquela cena me corta o coração. Ele gritava e chorava tanto!
Quando chegamos em casa, agradecemos a Deus porque nosso filho não é alérgico a picadas. Estávamos fora da cidade e o Buffet não tinha estrutura nenhuma para nos ajudar. Se ele fosse alergico e tivesse um choque anafilático, não sei se daria tempo para chegarmos num pronto socorro.

Fico pensando na estrutura dos Buffets de hoje. No caso deste Buffet, se eles não tinham nem mesmo um kit de medicamentos, como esperar um tratamento diferenciado para pessoas "especiais"?
Atualmente, fala-se muito em inclusão social e na minha opinião, os Buffets deveriam se estruturar para trabalhar com pessoas "diferenciadas" como, por exemplo, crianças portadoras de deficiência e de alergia alimentar.
Quantas crianças alérgicas deixam de ir as festinhas porque não podem comer os bolos, docinhos e salgados contendo leite, ovos ou outros ingredientes? Quantas crianças alérgicas vão as festinhas e acabam parando no hospital porque comeram algo que lhe fez mal?

Vamos pensar mais nesta questão de inclusão social! Vale a pena refletir sobre isso!

Abraços

Sandra Matunoshita

terça-feira, 7 de julho de 2009

Uma festa diferente!

Ontem foi a festinha de 5 anos do meu filho Daniel.
Foram aproximadamente 150 pessoas, dentre adultos e crianças.
Decidimos fugir das festas tradicionais e realizamos algo bem diferente. Oferecemos uma feijoada para todos, depois fizemos algumas gincanas com os pais e as crianças, meu irmão pediatra se transformou no palhaço Biri Biri e tivemos a apresentação de uma peça teatral que falava dos Super Heróis. Foi uma loucura, mas valeu a pena!
Eu estava super cansada porque passei os dias anteriores preparando todos os docinhos, o falso bolo de pasta americana e o bolo verdadeiro de chocolate de soja.
Como alguns convidados eram alérgicos, fiz tudo sem lactose e ovo. Fiz brigadeirinhos com gotas de chocolate Ouro Moreno, beijinhos, trufas com gotas de chocolate Ouro Moreno e bombons tanto de soja diet como Sem soja. O bolo foi feito com uma receita ultra secreta da SOS Alergia (risos) sem usar nada contendo leite de vaca e ovos. Também levei alguns bolos e doces especiais para algumas crianças alérgicas a leite, ovos, soja e cacau.
Fiquei impressionada com o sucesso da festa e especialmente, com o sucesso das guloseimas. Não sobrou nada, nem raspinha de bolo... risos.
E o mais interessante foi observar que a maioria das pessoas não eram alérgicas. Muitas nem perceberam a diferença de sabor e tantas outras não acreditavam que os produtos eram diferenciados.
Hoje é possível fazer uma festa "normal" ou até mais especial para uma criança alérgica. As pessoas precisam experimentar e saber como vive um alérgico para que possam respeitá-lo. Um brigadeirinho de leite de vaca pode não parecer nada para a maioria das pessoas, porém para a criança alérgica pode representar crises diversas dependendo das reação de cada um, uso de diversos medicamentos e até mesmo internação hospitalar.

Um grande abraço a todos,
Sandra Matunoshita - SOS Alergia

terça-feira, 2 de junho de 2009

Relato de uma mãe: "Nina, presente tão esperado!"

Tenho recebido alguns relatos e em muitos deles eu literalmente choro. Sempre achei que era a pessoa mais alérgica do mundo e que meus pais tinham sofrido tanto por me ver sofrer com minhas crises, mas quando leio ou ouço algumas histórias, descubro que meu sofrimento e dos meus pais não foi nada comparado ao de tanta gente!
O relato abaixo é de uma mãe chama Rilane. Apesar de não a conhecê-la pessoalmente (somente por email ou telefone) posso dizer que é uma pessoa vitoriosa, outra mulher guerreira!
Que Deus abençoe sua vida, Rilane!
Beijos a todos!
Sandra Matunoshita

"Meu sonho de ser mãe começou muito cedo. Aos dezessete anos eu dizia para minha mãe que ia ter um filho logo; ela fica super preocupada, claro, mas tal fato ficou apenas nas coisas impensadas que dizemos nos arroubos de juventude. Não por falta de vontade minha, óbvio, mas porque no fundo não era isso que queria; no fundo queria ser mãe, mas na forma tradicional... e também sabia que precisava ter responsabilidade e maturidade suficientes para gerar e cuidar... mas o sonho...esse eu tinha!
E os anos se passaram...
Em meados de 2003 fiquei grávida pela primeira vez. Vivido o susto inicial, fiquei feliz e passei a curtir cada segundo a minha gravidez. em fevereiro de 2004 tudo estava prontinho aguardando a Isabela...quarto, enxoval e muito amor guardados. Amor esse que teve que ser contido, pois minha filha nasceu morta em 12 de fevereiro de 2004 (dois dias antes da data marcada para o parto) e até hoje não sei mensurar essa dor e esse vazio, mas sei dizer que continuei viva, de pé e muito confiante no fato de que seria mãe. Por outras duas vezes engravidei, mas perdi os bebês logo no início da gestação.
Não sabia a razão de tantas perdas. Não tinha uma explicação fisiológica e nem espiritual. Hoje sei que Deus estava me preparando, fortalecendo-me para receber um grande presente e o dia certo, a hora desejada por Ele foi 09 de março de 2007, dia em que nasceu a Marina, fruto da minha quarta gestação.
Quando ouvi aquele chorinho e vi aquele rostinho eu pensei: é minha.... nem acredito! A partir dali eu comecei a descobrir uma forma de amor que jamais imaginei ser possível!
Marina nasceu de cesárea, com 37,5 semanas e veio ao mundo com muita saúde, apesar de pequenina... tinha apenas 2,700 kg.
Quando chegamos em casa, disse baixinho em seu ouvido: filha, mamãe esperava por você há alguns anos, não imagina o quanto foi desejada e o quanto amamos você! Espero que nossa história seja bem vivida e que aqui esteja apenas começando os traços de uma feliz existência!
Nos primeiros 20 dias de nascida, Marina apenas dormia e comia...aliás, tínhamos que acordá-la para que se alimentasse. Tudo muito tranquilo!
Depois desse período, as coisas começaram a mudar...ela chorava muito, mamava pouquinho, vomitava com frequência e era muito irritada. Começou aí nossa luta e peregrinação em consultórios médicos.
Ouvimos de tudo... Alguns diziam que eram cólicas e que passaria; outros diziam que nosso estresse estava gerando essa irritabilidade no bebê.... mas ninguém conseguia dar alguma solução.
Aos três meses de vida a Marina começou a não ganhar peso, a chorar e vomitar cada vez mais e a recusar o peito... era uma situação terrível.
Fomos então parar no consultório da gastro que a atende aqui em Brasília. Bastaram algumas horas para que ela dissesse que a criança tinha refluxo gastroesofágico e possivelmente alergia alimentar... o peito, então, teria que ser complementado com um hidrolisado chamado Alfaré... a menina tomava o "leite" e vomitava na hora; começou outra luta: encontrar algo que o organismo dela tolerasse. Testamos de tudo ou quase tudo e paramos no Neocate, única forma que ela tolera até hoje.
Entretanto, ao contrário do que imaginávamos, não estava solucionado nosso problema. A Nina não aceitava o gosto do "leite" e recusava-se a mamar. Chegou a ficar um dia inteiro com apenas 30 ml de alimento...era desesperador. Aos seis meses de vida ela apresentava desnutrição de grau dois e não sabíamos mais o que fazer... foi quando a médica nos informou que apenas uma coisa poderia salvá-la naquele momento: a sonda nosogástrica. Assim foi feito. Só Deus sabe a dor que senti em ver minha filha depender daquela mangueirinha para se alimentar... foram 41 dias de sonda e muitas horas de choro, de desespero, de descrença... Ao final de 41 dias, num descuido nosso, ela arrancou a sonda... o pai, desesperado, disse que ela não usaria mais aquilo e que teríamos que nos dedicar exclusivamente em reverter a situação. Foi o que fiz... aliás, o que fizemos.
Tivemos a ajuda de psicólogos, fonos, gastros, pediatras e, sobretudo, de Deus!
A Marina não recolocou a sonda e minha vida passou a ter um único foco: alimentá-la!
Não digo que foi fácil; até hoje não é, mas conseguimos e minha filha hoje alimenta-se de forma normal, apesar de um cardápio super restrito.
Por falar em restrição, percebo que deixei de mencionar que ela é portadora de alergia alimentar múltipla e seu maior inimigo é a proteína...da soja, do leite, da carne vermelha, enfim... Ela já comeu apenas batata, mandioca, neocate e caldo de rã. Hoje, passados um ano e alguns meses, ela já come rã, quase todos os legumes, codorna e peru (estes últimos recentemente acrescentados ao cardápio e ainda em teste). Não come qualquer fruta, bem como tomate e outras coisas que ainda iremos descobrir!
Não é fácil cuidar de uma criança alérgica, sobretudo se ela tem baixo peso como a minha. A nossa vida passa a se focar numa coisa só e se não tivermos cuidado, torna-mo-nos paranóicas!
Porém, o pior para mim não é conviver com a alergia, mas com as complicações decorrentes e secundárias, como as infecções de repetição... as da Nina são de amígdalas e agora também rinosinusite....
Porém, acredito que o pior de todos os inimigos de pais alérgicos é mesmo a falta de informação, a ignorância e a descrença dos outros. Muita gente ainda acha que alergia é frescura, quando sabemos que não só existe, como pode ser capaz de matar!
Hoje nossa vida é mais tranquila, mas me sinto como se estivesse diante de uma caixinha de surpresas... surpresas boas e também ruins... como tudo o que existe na vida... as ruins tento enxergar como desafios...aqueles para os quais Deus há muito me preparava e as boas tenho como presente....aquele que Deus guardava para mim há alguns anos!"

Rilane S de Sousa
Mãe da Marina, hoje com um ano e três meses (02/06/2009).