quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Loja SOS Alergia

Muitos de vocês devem ficar curiosos em conhecer a SOS Alergia.
Este vídeo apresenta um pouco da nossa loja antiga. Hoje, ela foi ampliada e possui dentro da própria loja uma cozinha onde é proibida a entrada de leite de vaca e ovos, além de seus derivados.
Também poderão conhecer um pouquinho mais de mim, uma japonezinha tagarela e apaixonada pelo que faz.
Quando eu fizer um novo vídeo da loja atual apresentarei para vocês!
Beijinhos,
Sandra Matunoshita


Bolo de fubá sem lactose e sem ovos

Olá para todos!
Quero compartilhar com vocês uma das receitas campeãs do nosso primeiro concurso de receitas SOS Alergia que foi realizado no ano passado (2009).
Essa receita foi desenvolvida pela mamãe Marina lá de Maringá-PR e é muito fácil de fazer. Detalhe: é deliciosa!
Espero que vocês também apreciem!
Abraços a todos,
Sandra Matunoshita

Bolo de Fubá Sem Lactose e Ovos

Marina Tamashito (Maringá - PR)

1 Concurso de Receitas SOS Alergia (2ª colocada)

Ingredientes:

- 01 copo de óleo

- 1 1/2 copos de açúcar

- 01 copo de farinha de trigo

- 01 copo de fubá

- 01 copo de leite de soja quente

- 01 colher bem cheia de pó Royal

Modo de preparo:

Peneirar e misturar os ingrediente secos numa vasilha.

No liquidificador, bata o óleo e vá acrescentando os ingredientes secos aos poucos e ao mesmo tempo o leite de soja quente até dar um ponto cremoso (mais líquido do que seco).

Untar uma assadeira redonda com furo (de pudim) com óleo e açúcar cristal e assar por aproximadamente 40 minutos em forno médio (210 graus) até dourar.

Aguarde esfriar para desenformar e está pronto.

Comentário da SOS Alergia:

O bolo foi escolhido em segundo lugar pelos seguintes motivos:

1. Fácil de fazer (não precisa de batedeira)

2. Saboroso

3. Cheiro agradável

4. Textura: massa macia

5. Baixíssimo custo (acessível a todos)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Filho de peixe peixinho é...

Feliz 2010 para todos!
Peço desculpas por não escrever constantemente. Eu amo ler e escrever, mas desde que casei e tive meus filhos, não tenho tido tanto tempo como gostaria. Acredito que muitos de vocês compreendem bem o que estou dizendo... risos.
Gostaria de compartilhar algo com vocês. Como muitos de vocês sabem, tenho alergia respiratória e de contato desde que nasci, porém, descobri somente adulta que também tinha alergia alimentar. Com essa descoberta, surgiu outra mais interessante: minha alergia alimentar potencializava as demais alergias.
Na época eu ainda não tinha a SOS Alergia; na verdade, nem imaginava que um dia teria. Fomos muito bem orientados por minha alergista quanto as medidas preventivas que eu deveria tomar. Como esperado, melhorei drásticamente, literalmente da água para o vinho.
Minha médica fez alguns comentários bem interessantes e gostaria de falar de um deles. Ela me disse que quando eu tivesse filhos, eu deveria tratá-los como alérgicos, não por causa da possibilidade hereditária deles serem alérgicos, mas porque eles, com certeza, seriam alérgicos. Fui orientada também a amamentá-los o máximo que eu pudesse.
Segui a risca sua orientação e amamentei (com muito prazer e alegria) meus dois filhos até 2 anos de idade. Eles sempre foram muito saudáveis, porém, como toda criança, eles estão crescendo e descobrindo coisas novas.
Graças a vovó e ao vovô, meus filhinhos descobriram o Danoninho e o queijo. Ficaram literalmente fascinados e eu apavorada.
A Ruthinha (Mimi), sempre que come um danoninho ou um pedacinho de queijo, fica com o bumbum assado e o Dandan começou a ficar com bolinhas por todo o corpo. Algumas dessas bolinhas viraram feridas e chegaram até a pensar que era micose. Porém, eu sei que são sintomas de alergia porque dei um antialérgico para ele e ele melhorou.
Agora, marcamos uma consulta com uma pediatra alergista fantástica aqui de Marília e no final de fevereiro iremos fazer as consultas para, em seguida, fazer os testes de alergia.
Só fico imaginando o que irá aparecer de novidade nos testes.
Bom, como muitos de vocês já passaram ou tem passado por isso, gostaria de compartilhar com vocês os resultados dos meus filhinhos.
Um beijo a todos e um abençoado 2010!
Sandra Matunoshita

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Um ótimo final de 2009 para as mamães guerreiras!

Finalmente estou de férias! (UFA!!! risos)
Foi um semestre tão corrido, com tantos trabalhos e provas!! Por outro lado, aprendi tanto!! Como minha formação é na área de humanas, fazer esta faculdade de Tecnologia de Alimentos foi como aprender o ABC. Tudo era muito novo pra mim! As químicas e biologias me fizeram olhar para a vida por um outro ângulo! Fizeram-me olhar para Deus com um amor muito maior também. Como Deus é grande e verdadeiramente nos ama!! Ele pensou em cada detalhezinho com muito carinho e amor!
Este amor é algo que herdamos de Deus e eu provo isso a cada dia sempre que recebo a visita de uma mãe de criança alérgica. Cada mãe que entra em minha loja, apesar do desespero e da tristeza, é uma guerreira! O amor que cada uma delas (e de você que está lendo) sente pelo filho é algo inexplicável! Somos capazes de fazer qualquer coisa por nossos filhos, até mesmo de dar a nossa vida! Quantas de nós não trocaríamos de lugar com nossos filhos para que eles não precisassem sofrer com as alergias???
Por outro lado, eu acredito que Deus só permite que isso acontença porque sabe que somos capazes de superar até mesmo nossos limites em prol de nossos filhos.
Quantas mães que nunca tinham se quer ligado um fogão hoje conseguem preparar os mais diversificados pratos que nem mesmo grandes chefes de cozinha seriam capazes de fazer??? Quantas colegas e amigas se uniram porque seus filhos são alérgicos? Amizades que preço nenhum no mundo pode comprar!
A todas vocês, mães guerreiras, mulheres cheias de amor, quero desejar um final de 2009 muito abençoado por Deus!
Que vocês continuem sendo benção na vida de seus filhos!
Acreditem no que digo: A alergia alimentar é algo terrível, mas também pode ser algo maravilhoso. Muitas crianças alérgicas passam a ter uma qualidade de vida muito superior!!! Ao retirar os alimentos alérgenos, juntamente com os refrigerantes, corantes e conservantes da vida e ao introduzir alimentos muito mais saudáveis e naturais, vocês estão dando mais tempo de vida para seus filhos. Os riscos de sofrerem com doenças causadas pela má alimentação como a obesidade e a arterosclerose (só exemplos) são infinitamente menores!
Pensem nisso!
Deixo aqui um grande abraço a todas as mamães e papais também (desculpem-me por homenagear somente as mamães!!! Elas merecem, não é mesmo??? O que seria de vocês, homens, sem as mulheres??? risos).
Com muito carinho,
Sandra Matunoshita
SOS Alergia

PS: Essa foto é minha com minha filhinha Ruthinha. Tive o privilégio de amamentá-la por mais de 2 anos!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Resenha do amor!

Esta cartinha eu recebi de uma mamãe guerreira em maio de 2009. É a Resenha do amor, como a própria mamãe Rita intitulou!
Como sou meio esquecida e atrapalhada... risos... eu criei uma conta no gmail e esqueci a senha. Hoje, consegui acessar a conta e dentre os email, tinha em especial esta cartinha.
Gostaria de compartilhá-la com vocês.
Acredito que muitos de nós passamos por lutas e dificuldades. O compartilhar é um dos gestos mais belos, pois é um jeito de outras pessoas saberem que não estão sozinhas e que é possível vencer e superar limites.
Um grande abraço carinho a todos,
Sandra Matunoshita
SOS Alergia



Boa noite Sandra!!!!

Desculpa a demora, estamos aqui com um quadro de virose e estomatite , que nem nos tem deixado dormir direito, desculpa a demora, não é falta de interesse.
Agradeço seu gesto. Eu sempre olhei o site da SOS Alergia e os produtos, mas não imaginava que por trás dele existia uma pessoa tão especial... sabia que eram pessoas do bem.
Livia é alérgica a leite de vaca, soja, peixe e clara de ovo.
Com dieta de dois anos, ela conseguiu ingerir trigo, frutas e legumes. Faz 4 meses que introduzimos esses alimentos.
Ela completou 2 anos em janeiro e nesses dois anos não consumiu nada contendo leite, trigo, corantes, chocolate, algumas frutas, legumes e raízes, pois manifestava alergias múltiplas e cruzadas. Foram dois anos de muita luta, mas agora posso dizer que ela está bem, porque só de ter introduzido o trigo, pra nós, foi uma vitória.
Nossa história começou em Minas Gerais, onde meu marido trabalhava. Quando a Livia nasceu, ainda no hospital, ela passou mal, pois meu leite não descia. Finalmente, consegui e ela foi amamentada, mas o que eu comia também fazia mal a ela e eu não sabia. Vivíamos no médico e ela sempre a baixo peso. Nasceu com 3,150 kg e com 6 meses tinha exatos 3,900 kg! Não ganhava peso! Quando fomos introduzir as frutas, levamos um susto! Ela teve reação e aí foram idas e vindas ao pronto socorro. Ninguém descobria e eu continuava amamentando. Resolvi tirar algumas alimentos da minha dieta. Porém, infelizmente, lá onde morávamos não tínhamos acesso a internet e a médica não entendia de alergia. Foi um ano muito sofrido onde passamos grandes necessidades. Até nos faltou o que comer em alguns momentos, mas eu tinha o alimento da minha filha. Finalmente, resolvemos mudar nosso destino. Meu marido pediu demissão e viemos para SP. Aqui ele ficou desempregado até novembro do ano passado e por isso, passamos muitas dificuldades. Por outro lado, minha filha estava melhor, sendo acompanhada por médicos que conheciam esse problema. Ficamos na casa de meus sogros, mas foi um período muito difícil, pois meu marido ficou sem emprego de janeiro a novembro de 2008. Ele fazia algumas coisas mas nada fixo. Em novembro de 2008 tudo mudou! Conseguimos alugar um lugar pra nós, o emprego nos deu plano de saúde e Livia desde o início do ano recebia "Neocate" do governo, pois precisava ganhar peso. Foi um ano de muitas dificuldades, mas de muitas vitórias! Eu queria que minha filha chegasse aos dois anos com mais de 9 kilos e chegou! Agora estamos em uma fase de agradecimento a vida por tudo que recebemos dela! Faltam muitas coisas materiais, mas temos paz, sabemos que é o problema de nossa filha e sabemos o que fazer quando ela passa mal. Hoje só tenho motivos para agradecer!
Em Janeiro de 2009 introduzimos a soja na alimentação de nossa filha e ela teve edema de glote. Depois desse episódio, tiramos novamente. O governo não nos fornece mais o leite, mas nem isso nos derrubou! Estou tentando substituir por outros alimentos. Ela tem ficado com a imunidade mais baixa, mas estamos conseguindo.
Nossa história é só mais uma entre tantas de crianças alérgicas, mas em nenhum momento eu desanimei porque eu sabia que era por ela e que ela seria reflexo de minha luta.
Tenho muitas histórias, passagens por médicos... Nossa! Quanta coisa aconteceu nesses dois anos de vida dela! Com seu nascimento não nasceu apenas uma mãe, mas uma pessoa que acredita em milagres! Não em um milagre esperado que vem de repente, mas no milagre que vem da luta, da espera, do ânimo... o milagre de conhecer pessoas como você... que divide um pouco de você com outras pessoas... e esse pouco que você divide comigo devolvo em votos de benção em sua vida.
Muito Obrigada sempre.....
Rita Ranite



terça-feira, 6 de outubro de 2009

Abaixo Assinado em prol dos alérgicos


PARTICIPE!

VOTE!


VAMOS LUTAR PELOS DIREITOS DOS ALÉRGICOS!

A SOS Alergia aprova e apoia esta campanha!


Abaixo-Assinado (#4998): Carta aos Parlamentares:

Destinatário: Deputados Federais e Senadores da República

Vote aqui: >> Assine este abaixo-assinado <<


Excelentíssimos Senhores Deputados Federais e Senadores

Prezados Senhores,

Os abaixo-assinados, a seguir identificados, vêm, à presença de Vossas Excelências, expor e requerer o que segue:

O nobre Deputado Exmo. Sr. Sandro Mabel elaborou o Projeto de Lei número 2663 de 03/12/2003 pretendendo tornar obrigatório aos fabricantes de produtos alimentícios a informação no rótulo ou embalagem do termo “CONTÉM LACTOSE”. O objetivo de tal medida, segundo a justificação do projeto é resguardar e prevenir possíveis ingestões acidentais por "crianças alérgicas à lactose e que acabam sendo socorridas às pressas, com risco de vida, por ingerir tal substância."

Entretanto, o projeto tem conceitos equivocados, já que inexiste “ALERGIA À LACTOSE". Existe "INTOLERÂNCIA À LACTOSE" e "ALERGIA ÀS PROTEÍNAS DO LEITE DE VACA", problemas que embora sejam frequentemente confundidos são distintos em sua natureza e em suas consequências. A lactose é um carboidrato e, portanto, não causa reações alérgicas. A alergia ao leite de vaca é uma reação às proteínas do leite, não à lactose, e pode ser uma enfermidade grave. Envolve o sistema imunológico. Já a intolerância à lactose, extremamente rara na infância, costuma acometer crianças maiores depois de desmamadas e adultos e embora possa trazer grande desconforto, não envolve risco de morte como os casos de alergia."

Enquanto que os intolerantes costumam suportar quantidades variadas de lactose, dependendo do grau de intolerância (e podem consumir proteínas do leite isentas de lactose, como os já existentes no mercado "leites sem lactose"), os, “ALÉRGICOS A LEITE” não podem consumir ABSOLUTAMENTE NADA que contenha proteínas do leite de vaca, ou seja, leite e derivados ou produtos que contenham leite e derivados na sua composição e ainda traços de leite, ou seja, consumir produtos que foram produzidos em equipamentos que processam leite e derivados.

Entendemos que a melhor forma de atingir o objetivo deste projeto, seria a mudança do termo "CONTÉM LACTOSE" para "CONTÉM LEITE E/OU TRAÇOS DE LEITE", o que realmente protegeria os alérgicos às proteínas do leite de vaca e ainda alcançaria os intolerantes à lactose. Ressaltando que a redação atual do projeto só contempla os intolerantes, apesar de a justificação estar voltada aos alérgicos.

Acrescentamos que há produtos que possuem LEITE e não possuem LACTOSE, como os casos dos já mencionados "leites sem lactose" e de alimentos que usam apenas a proteína do leite na sua composição. Dessa forma, não levariam a inscrição legal "CONTÉM LACTOSE", mas poderiam levar à morte uma criança alérgica a leite.

Assim, por todo o exposto, requeremos a Vossas Excelências que procedam a alteração do aludido Projeto, a fim de que ao invés da expressão “CONTÉM LACTOSE”, passe a constar nos rótulos e/ou embalagens a informação “CONTÉM LEITE E/OU TRAÇOS DE LEITE”, certos de que Vossas Excelências saberão compreender e respeitar a nossa luta e os direitos dos cidadãos em serem esclarecidos acerca da composição clara dos produtos que adquirem.

Mães, pais e amigos de crianças alérgicas às proteínas do leite de vaca.

Autora: Fernanda Mainier Hack

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A nova guerra às alergias (Revista Época)

Ultimamente, tem se falado muito em alergia alimentar na mídia. Uma séria de reportagens foi feita pelo Fantástico e com isso, outros meios de comunicação começaram a voltar sua atenção para este tema tão importante e tão pouco comentado. Acredito que isso seja um grande passo para nós, alérgicos!
Segue abaixo a reportagem feita pela Revista Época.
Abraços,
Sandra Matunoshita - SOS Alergia


A nova guerra às alergias
Fonte: Revista Época


As armas da medicina para combater o crescimento do número de casos de reações graves a alimentos

Dennise Passos de Oliveira não tinha como saber, mas a geleia de mocotó que dava ao filho Luiz Guilherme, de 6 meses, era a causa, e não a solução, para as cólicas e os vômitos do bebê. Ao entrar em seu organismo, uma proteína do leite contido na geleia provocava uma reação semelhante à do sistema imune quando atacado por vírus. Alimentos comuns como arroz, espinafre, mandioquinha e frango também causavam vômito. Às vezes, só de sentir cheiro de comida Luiz Guilherme começava a passar mal. O menino perdia peso, crescia abaixo da média e teve inchaço no fígado e no baço. Por fim, a gastropediatra Maria Helena Simões identificou a razão: uma grave alergia. Seu caso, embora raro, ilustra o crescente problema das alergias múltiplas, para o qual só agora a medicina começa a encontrar explicações.

A médica mandou suspender praticamente todos os alimentos sólidos e receitou para Luiz Guilherme uma fórmula especial, com proteínas já “digeridas”, para evitar novas reações alérgicas. Hoje com 2 anos, Luiz Guilherme é um menino alegre e calmo, que passa o dia brincando com um macaquinho de pelúcia. Um ano e meio depois do início do tratamento, além da fórmula especial, ele já pode comer quiabo, maxixe, abóbora, macarrão de sêmola, carne de carneiro e está se aventurando pelas frutas. Teve reações a banana, ameixa e pera, mas está experimentando abacate e mamão.

Esse caso, ainda que extremo, não é totalmente estranho aos ouvidos de pais e mães. Quase todos já ouviram falar, dentro do círculo de amizades, de histórias de crianças com graves alergias ou intolerâncias a um ou mais alimentos, como numa espécie de pandemia silenciosa. O aumento do número de casos provavelmente se deve em parte a uma melhora nos diagnósticos, o que não o torna menos alarmante. Segundo o dado mais recente, de 2007, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, nos Estados Unidos, o aumento foi de 18% em uma década. A alta mais significativa foi na faixa de 0 a 5 anos de idade, fase da vida em que o sistema imune está mais vulnerável.

No mundo inteiro, alergias se tornaram uma verdadeira paranoia. Na Austrália, o menino Kaleb Bussenschutt, de 5 anos, se alimenta por sonda e pode apenas chupar gelo. Nos Estados Unidos, algumas escolas baniram do recreio os lanchinhos com amendoim e derivados. Recentemente, a queda de um simples amendoim no assoalho de um ônibus escolar gerou a evacuação e a descontaminação do veí­culo. Também nos Estados Unidos, foi realizado em agosto o primeiro jogo de beisebol “peanut-free” (ou seja, livre de amendoim: comer amendoins e derivados em estádios de beisebol faz parte da cultura americana) apenas para que um menino, Kyle Graddy, de 9 anos, alérgico à semente, pudesse assistir ao vivo a seu esporte favorito.

Exageros à parte, é fato que se tornou mais comum o diagnóstico de alergias múltiplas numa mesma criança. “Há 25 anos, quando comecei a trabalhar com isso, os testes sanguíneos da maioria das crianças apontavam alergia a apenas um tipo de alimento”, diz Hugh Sampson, um dos maiores especialistas americanos em alergias infantis. “Agora o incomum é encontrar um exame em que só haja reação a um tipo de comida.” Em seu dia a dia na Faculdade de Medicina Mount Sinai, em Nova York, onde dirige o serviço de alergia e imunoterapia do Departamento de Pediatria, Hugh Sampson dedica-se a estudar uma cura para o problema. Ele é um otimista: acredita que, em menos de uma década, uma bateria de novas armas estará disponível para o público. Essa não é a única novidade na guerra contemporânea contra as alergias alimentares. Novos métodos de diagnóstico estão prestes a entrar no mercado, inclusive no Brasil, e a ciência a cada dia entende um pouco mais os mecanismos que levam nosso corpo a reagir contra alimentos que deveriam nos fazer bem, e, por algum motivo, põem em risco nossa saúde.

O QUE JA SE SABE?

ACESSE E LINK E SAIBA AS RESPOSTAS ÀS DÚVIDAS MAIS COMUNS SOBRE ALERGIA E INTOLERANCIA :

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI90398-15257-1,00-A+NOVA+GUERRA+AS+ALERGIAS.html

Uma das chaves para encontrar uma cura para as alergias é a pesquisa genética. A ciência ainda não é capaz de responder por que, numa mesma família, algumas pessoas têm mais ou menos predisposição ao problema. Luiz Guilherme, o menino que abre esta reportagem, tem uma irmã mais velha, Emanuelly, de 6 anos, que não sofre de alergia alimentar, mas tem rinite, uma doença alérgica. A mãe, Dennise, tem tosse alérgica, e o pai, Fernando, diz sofrer alterações na pele quando ingere camarão e lagosta.

Os pesquisadores acreditam que as alterações do ambiente onde vivemos têm um papel fundamental no desenvolvimento das alergias. A chamada “hipótese da higiene” diz que, no ambiente urbano moderno, quase asséptico, diminui a exposição a micro-organismos como vermes, bactérias e vírus e, consequentemente, caem as infecções. A relação entre a higiene e a alergia não foi, contudo, confirmada por estudos epidemiológicos no Brasil. Até agora, as pesquisas não mostraram uma diferença na taxa de casos de doenças alérgicas nas grandes cidades e em populações de vilarejos do interior.

Uma dificuldade de qualquer estudo é definir quem realmente é alérgico. De acordo com diversas pesquisas, 20% a 25% das pessoas acreditam ter algum tipo de alergia. Quando um médico faz o diagnóstico, apenas 1% a 2% dos adultos e 6% a 8% das crianças de fato têm o problema. Antes de concluir que se tem uma alergia, portanto, é preciso excluir outras hipóteses. Foi o caso da nutricionista Leticia Garcia, de 29 anos, que mora em São Paulo. Há quatro anos, depois de repetidos episódios de diarreia e constipação, Leticia recebeu o diagnóstico de “síndrome do intestino irritável”, uma condição que teria fundo emocional. No ano passado, ela voltou a ter o problema. Desta vez, um teste sanguíneo apontou intolerância à lactose. Letícia tirou leite e derivados da dieta. Não adiantou. Ela procurou uma terceira opinião. O médico desconfiou de doença celíaca – aquela em que o intestino do paciente não absorve alimentos com glúten. Uma biópsia confirmou a suspeita. A intolerância à lactose, na verdade, era um efeito secundário das crises de diarreia. Agora, Leticia luta para tirar pães, massas e farinhas da dieta. “Desde o diagnóstico, não tive mais crises”, diz Leticia.

Assim como nos casos de intolerância, identificar as alergias pode ser difícil. Atualmente, usam-se testes cutâneos – em que o alérgeno é colocado em contato com a pele – ou de sangue. Neste último, chamado Rast, os cientistas medem a quantidade dos anticorpos IgE para certos alimentos e medicamentos. Mas ter altas doses de IgE específico para o camarão, por exemplo, não significa necessariamente alergia a camarão: são os casos chamados de “falsos-positivos”. Eles são comuns quando há alergias cruzadas. Uma nova técnica, chamada “microarray”, que usa quantidades menores de sangue para uma quantidade maior de alérgenos, espera a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usada no Brasil.

A evolução nas técnicas de diagnóstico pode trazer esperanças para casos graves como o de Marina, uma menina de Brasília hoje com 2 anos e 5 meses. Aos 20 dias de idade, Marina chorava bastante, dormia pouco e regurgitava muito. Mãe pela primeira vez, a servidora pública federal Rilane Santos de Sousa ficou preocupada e levou o bebê ao médico. O primeiro diagnóstico foi refluxo gastroesofágico, um problema comum em crianças pequenas. “O refluxo pode ter uma causa fisiológica, mas também pode ser causado por uma alergia”, afirma o gastropediatra Ulysses Fagundes Neto, professor do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina da Unifesp. Ao ingerir um alimento e ter cólica, a criança pode chorar muito, o que a leva a regurgitar. Outro possível sintoma é diarreia com sangue, que pode ser confundida com uma infecção intestinal. Aos 2 meses, a menina deixou de ganhar peso, e Elisa de Carvalho, médica especializada em gastroenterologia pediátrica do Hospital de Base do Distrito Federal, suspeitou de um caso de alergia a leite. Para evitar expor a criança às proteínas do leite e da soja pelo leite materno, Elisa excluiu os alimentos da dieta da mãe. Mesmo assim, Marina não apresentou melhora. Rilane teve, então, de deixar de amamentar. Passou a dar à filha uma dieta especial, com fórmula de proteína hidrolisada – mais fácil de digerir. Deu certo, mas uma tentativa de reintroduzir o leite na dieta da menina fracassou. Marina foi internada e passou a receber por sonda uma fórmula elementar, hipoalergênica, só com aminoácidos, por meio de uma sonda. “Não dormíamos direito vigiando para que ela não tirasse o aparelho”, diz Rilane. Depois de 60 dias de tratamento, a própria menina rejeitou a sonda. Durante alguns meses, alimentou-se exclusivamente com a fórmula. Aos poucos, e com acompanhamento médico, Marina foi começando a descobrir outros sabores sem choro. Hoje, ela pode provar carne de codorna, peru e frango, a maioria dos legumes, pera e mamão. A mãe anota tudo o que a filha ingere. Com 11 quilos, peso normal para sua idade, Marina deverá deixar de usar a fórmula de aminoácidos dentro de alguns meses.

Casos assim conduzem à inevitável pergunta: é possível prevenir alergias? Segundo as pesquisas mais recentes, não adianta evitar dar alimentos com potencial alergênico para os bebês com mais de 6 meses. “Temos medo das dietas não alergênicas, porque elas não estimulam o desenvolvimento da tolerância nas crianças”, diz Roseli Sarni, pediatra e presidente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Só existe consenso em torno de um único fator preventivo: a amamentação. Há evidências científicas de que o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade traz benefícios para as crianças.

O mecanismo de desenvolvimento de tolerância batizado “imunoterapia oral” é uma das linhas mais promissoras para o tratamento da alergia alimentar. A técnica consiste em ministrar doses crescentes do alérgeno ao paciente para “acostumar” o sistema imune à proteína. No Brasil, o grupo do pesquisador Fabio Morato Castro, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, tem tido resultados animadores com essa técnica no tratamento de alergias a ovo e leite, bastante comuns por aqui. Na Universidade Duke, nos Estados Unidos, o pediatra Wesley Burks estuda um grupo de 50 crianças alérgicas a amendoim. A criança vai ao hospital, recebe a dose e é acompanhada pela equipe. Se tudo correr bem depois da ingestão, a criança vai para casa e continua tomando a mesma dose por duas semanas. As doses são aumentadas progressivamente. Depois de um ano, 85% das crianças conseguem comer 15 amendoins sem apresentar nenhuma reação. Agora, Burks quer descobrir se esse método tem resultados permanentes. “Ainda vamos demorar três a cinco anos para chegar a um tratamento seguro”, diz Burks.

Outra possibilidade de tratamento é usar proteínas geneticamente modificadas para induzir essa tolerância. Elas seriam capazes de produzir essa tolerância com menor risco de reações.

Um exemplo das possibilidades dos novos tratamentos pode ser encontrado na família de Ana Rita Keller, uma arquiteta que mora em São Paulo. Aos 4 meses de vida, seus filhos gêmeos, Pedro e Juliano, experimentaram pela primeira vez uma fórmula infantil – que contém proteína do leite – e tiveram uma forte reação alérgica. Foram internados de urgência e tiveram de tomar doses de adrenalina para evitar um choque anafilático. Passado o susto, Ana Rita ficou sabendo que os dois filhos tinham alergia ao leite e a todos os seus derivados. O problema se tornou uma fonte de preocupação permanente. “Um dia, quando eles tinham uns 8 meses, eu tinha acabado de comer um iogurte e o Juliano quis brincar com a colher”, lembra Ana Rita. “Dei e ele começou a ficar inchado e a ter bolinhas na boca. Aprendi que, mesmo que a colher pareça limpa, traços do alimento podem provocar a reação.” Hoje, os meninos estão prestes a completar 6 anos. As reações de Pedro foram se abrandando. Juliano continua a exigir atenção constante.

Depois do episódio da colher, Ana Rita redobrou o cuidado, mas é difícil eliminar todos os riscos. “Um dia ele teve alergia depois de beijar minha mãe, que tinha comido um sorvete de creme duas horas antes”, afirma Ana Rita. Ela decidiu que, aos 4 anos, Juliano e Pedro já poderiam entrar na escola. Nessa idade, eles já sabiam que não poderiam pegar a comida dos amiguinhos, mas Juliano ainda corria o risco de um contato acidental. “Tive uma reunião com a coordenadora para explicar o problema. Até hoje não houve nenhum incidente”, diz a mãe. “Os alunos da classe também sabem da alergia, e todos lavam as mãos e a boca depois do recreio.” Na casa da família, para facilitar os cuidados, todos comem receitas preparadas sem leite, com soja ou leite de coco, e até o pai, Dominik, que é suíço, abriu mão dos queijos. A expectativa, porém, é que a rotina da família se normalize dentro de alguns anos, com o gradativo aumento da tolerância de Juliano à proteína do leite, como aconteceu com o irmão. Entender os mecanismos que levam o corpo a superar alergias alimentares é essencial para pôr fim ao drama de milhões de famílias como os Kellers.

Estima-se que dois terços da população mundial adulta de hoje tenham algum grau de intolerância à lactose, tipo de açúcar presente no leite. Isso quer dizer que mais de 4,5 bilhões de pessoas têm uma deficiência na produção de lactase, a enzima para a digestão do leite, e sentem algum tipo de desconforto – os mais comuns são dores abdominais, gases e diarreia – ao ingerir a bebida ou seus derivados. Inexplicavelmente, na Europa, o problema afeta uma porcentagem bem menor da população: 25%, em média. Isso se deve a uma única mutação no DNA. Mas por que os europeus têm o gene da tolerância a leite em maior quantidade que asiáticos e africanos?

Uma nova pesquisa liderada por Mark Thomas, pesquisador do University College de Londres, pode ter encontrado a explicação. Thomas é especialista em evolução genética. Ele concluiu que a mutação responsável pela tolerância ao leite ocorreu há cerca de 7.500 anos na região central dos Bálcãs, onde hoje ficam a Romênia e a Bulgária. Para chegar a essa conclusão, a equipe de Thomas alimentou um computador com dados sobre o genoma dos povos europeus e o histórico de domesticação de animais. O estudo foi publicado na semana passada na revista PLoS Computational Biology.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI90400-15257,00-O+GENE+QUE+NOS+DEU+O+LEITE.htm